terça-feira, 14 de abril de 2015

Ecologia x Estresse



Ecologia e Estresse é o título do último livro do jornalista, ecologista e fotógrafo Moisés Matias. Agora, ele lança a proposta como curso regular, através da Universidade Livre. Matias criou o sítio Panakuí após uma crise de estresse que sofreu no final dos anos 90. "Tive que fazer o mergulho profundo em uma viagem de volta ao eu ecológico. Após a viagem, trouxe na bagagem a lição que compartilho com as pessoas participantes do curso Ecologia e Estresse e que buscam uma vida com qualidade e com um significado mais amplo para a existência", explica.

Após o curso, as pessoas interessadas poderão completar a formação, tornando-se um multiplicador autorizado pelo autor a ministrar o curso em outras áreas.

Venha, reserve a sua vaga pelo telefone: (98)9888 3372 com o jornalista Moisés Matias

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Crise global da delicadeza



A sina feminina segue por caminhos sinuosos, por águas que dançam, oscilando entre os extremos. Certos desarranjos interiores, embora aqui comigo cada vez mais aquietados pelo tempo-rei, permanecem como um fio de pavio, embebido em líquidos inflamáveis, por vezes alçando voos suaves como flâmulas ao vento.

A avalanche diária de afazeres jamais consegue soterrar a profusão de emoções ou apagar o sopro de sentimentalidade que não se evanesce. O senhor da paixão contida de Morte em Veneza, de Thomas Mann, por vezes, duela com a Lolita, de Nabokov.

Os dias ásperos de labuta são incapazes de conter as vazões que fogem às razões. Carregar pedras não impede que nasçam flores no caminho. Essa recusa à brutalidade dos dias é própria da espécie. Nós, fêmeas, possuímos certo ardor interior, moldado para parir, com a singular intensidade de, ao mesmo tempo acolher e libertar sentimentos incandescentes. E todo um acervo de emoções godê, tantas vezes classificado como "histeria". 

O tema enrosca-se em palavras sedosas, em tom confessional, mas é bem mais amplo do que simples diletantismo feminino, de mimimis e tal. O mundo asfixiado por crises variadas tem perdido o referencial da delicadeza, da comoção, da emoção. É fato que existem mulheres machos e homens com alma de mulher. As crueldades que originam as patologias e problemáticas diversas da contemporaneidade são geradas por aqueles que perderam a capacidade de se sensibilizar. 

Certa vez, Clarice Lispector relatou: "Uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma delicadeza". No premiado livro O Deus das Pequenas Coisas, da indiana Arundhati Roy, a lição de que as coisas podem mudar é comovente.

Acontece que, anestesiados pela vaidade, pela compulsão materialista ou pelas substâncias exaladas pelo nosso ego, somos transformados em zumbis, em mortos vivos que vagam pelo mundo perdidos, na eterna busca por algo que preencha o nosso insaciável vazio interior.

Nem é necessário mascar as teorias em torno da coisificação do homem, da competitividade do capitalismo, da ambição desenfreada ou das ameaças planetárias. 

Alguns equivocados só conseguem enxergar a fragilidade da existência quando são visitados pela inexorável senhora chamada Morte. 

A vida é frágil, muito frágil. E por um motivo simples, para nos ensinar a ser delicados.  



O século XXI em debate


terça-feira, 7 de abril de 2015

sexta-feira, 6 de março de 2015

Profilaxia


terça-feira, 3 de março de 2015

O inferno paradisíaco



Entra com teu céu em meus olhos” é um dos versos mais delicadamente arrebatadores do poeta chileno Pablo Neruda. 

A forte carga simbólica do céu - e suas concepções de paraíso e imensidão - se mistura ao incandescente fogo tão familiar ao reduto dos pervertidos pela emoção e dos atormentados pelo sentimento que move o mundo: o desejo. Para alívio dos culpados, o inferno já foi até absolvido pelo Papa Francisco.

A genialidade do poeta está em traduzir com poesia o que acontece, naqueles momentos mágicos, nos estreitos orifícios pelos quais a vida é apreciada: os olhos. Nos limites da visão, o céu infinito supõe-se alcançado em toda a sua graça. O olhar, essa janela da existência, alimenta a alma e nutre o coração. “O que os olhos não veem, coração não sente”, diz o adágio popular.

Neruda pede. Os melhores pedidos, como conhecem os amantes, precisam recorrer ao recurso inebriante da sedução para serem atendidos. O olho que vê quer mais. Quer ser visitado pelo deslumbramento celestial, descrito no poema. Devem ser olhos aflitos, afoitos, pois têm fome. Mas são justamente olhares molhados de ternura que saciam sedes. E balsamizam o calor do querer.  

E não é o crente que almeja ingressar nos degraus superiores onde habitam anjos e serafins. É o descrente pelas dúvidas, o endemoniado pelo desejo que quer ser invadido pela imensidão paradisíaca e pede: “entra com teu céu em meus olhos”.  

O triunfal ingresso do céu nos olhos celebra a simbiose entre céu e inferno. As delícias do sentir são feitas disto, do Hades e do Paraíso, que se juntam e se buscam, freneticamente. Condenados ou perdoados pela vida eterna. Amem!(sem acento)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Febre