segunda-feira, 30 de agosto de 2010
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
HOMENAGEM AOS ABUTRES
Blues da Piedade
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem!
(Composição: Roberto Frejat/Cazuza)
terça-feira, 10 de agosto de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
Textos enfileirados
A jornalista e escritora espanhola Rosa Montero, no verborrágico A Louca da Casa, cita a classificação de um tal Isaiah Berlim, que divide os autores em raposas e ouriços: os itinerantes e os enroscados em si mesmo. Devo me enquadrar na categoria de ouriço, embora me expondo, desavergonhadamente, em meus escritos, após o enroscar-me em mim mesma.
Depois de uma hibernação literária de quase dois meses, percebo agora textos enfileirados, acumulados, aguardando o momento de emergirem, amarrotados, sedentos, desassossegados. Eles pululam dentro de mim, inquietos, na busca frenética pelo êxtase proporcionado pelas escrevinhações necessárias, quase fisiológicas. Aqui fora, a aridez impõe sua cancela, a técnica asfixia a malemolência do bailar sensual das palavras, surdas à música que põe em movimento o entrelaçar de frases segredadas pela verve. É tempo que tolhe as singelezas, embora recorra a elas, incansavelmente, na fresta que se abre nos segundos, por exemplo, em que a chuva cai na janela, molhando a alma seca.
É tempo que requisita intervalos, reacende vontades suaves em mim, demanda os livros que aguardam na fila de espera, no posto de táxi para alguma Estação Lunar, como na letra da canção surrada de Geraldo Azevedo. É tempo que pede lençóis de pele e sedas de gente, em lugar da rigidez da rotina fardada, de tarefas enfadadas. De argila nas mãos, lama nos pés, a substituir o cimento das frases. É momento de cenas brutas, sem cortes, da família de porcos que atravessa a rua esburacada, do silêncio dos sussurros interiores, da rádio AM correndo junto com o carro. É tempo de textos em fila, em conserva, esperando a fome, que devora sensações e fragmentos dos dias, ser engolida pelo metabolismo da escrita que grita. A seguir cenas.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
A insaciável fome de poder no Maranhão
O genial poeta, jornalista e compositor, César Teixeira, escreveu sobre a intervenção do PT do Maranhão no site do jornal Vias de Fatos (http://viasdefato.jor.br/), do qual tenho umas das últimas vaidades jornalísticas que me restaram de ser colaboradora. A publicação é um dos mais corajosos projetos editoriais já editados, nos últimos tempos, neste Maranhão de feudos também midiáticos, sob a coordenação de Emílio Azevedo e do autor do texto que segue abaixo:
A resposta virá
Em pleno século XXI, os vícios feudais persistem. A intervenção realizada pela cúpula nacional coloca o PT maranhense mais uma vez no pelourinho do ridículo, atendendo aos interesses mórbidos do feitor José Sarney e seus capitães-do-mato. Como se não bastasse ter transformado o Senado Federal numa casa mal-assombrada, esse velho fantasma de pijama tenta colocar uma pá de cal sobre a resistência petista no Maranhão, contrária ao apoio pretendido pela sinhazinha Roseana Sarney ao governo do Estado. Talvez o mal-sucedido escritor tenha esquecido que a Cafua das Mercês há muito deixou de ser mercado de almas, quando os negros se rebelaram contra os oligarcas do Maranhão. Da mesma forma, não será possível manter por muito tempo a política brasileira como um sujo balcão de negócios. Existem feridas que ainda não foram fechadas pela história, e essa dor agora acrescentada pelo sal da covardia não será suficiente para calar os cidadãos maranhenses solidários à greve de fome de Manoel da Conceição e Domingos Dutra. A resposta virá... e o senhores feudais que se cuidem!
César Teixeira
segunda-feira, 14 de junho de 2010
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