quarta-feira, 17 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Bilhete de Navegação
Mantra do sábio Paulinho da Viola, em sua interpretação e letra da música Argumento, adicionado, há alguns meses, no meu mapa de vôo pessoal: “Seja como um velho marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar”.
A calmaria e a serenidade são virtudes adquiridas e aperfeiçoadas, ao longo de muitos temporais. A certeza é âncora necessária, após longas rotas percorridas. Entre tantas chegadas e partidas, em meio à sucessão de nevoeiros, tempestades - intercaladas por paisagens excepcionais no amanhecer e anoitecer da temerária aventura humana – os nossos princípios são bússula a guiar o barco, da qual jamais se deve prescindir ao ousar atravessar o oceano.
Embora sob a composição da água, fluídica por natureza, aprecio a firmeza das rochas. A frouxidão emocional, a displicência afetiva, a deslealdade estelionatária não despertam indignação juvenil nos velhos marinheiros, mas um profundo lamento, quase um desdém.
Navegar, nem sempre por águas tranqüilas, é arte, um permanente exercício de equilíbrio, ajuste e aperfeiçoamento aos que se recusam à paralisia do cais do porto. Os ventos fortes, a brisa suave, a direção, as mudanças climáticas a exigirem atenção e adaptação a todo instante. Velejadores fracos e negligentes costumam não realizar as grandes travessias e, comumente, são engolfados pelas ondas mais furiosas. Outros, afoitos, são incapazes de apreciar a espetacular viagem que se traduz na preciosidade de aprender a navegar. A sabedoria surge durante a travessia. Chegar talvez seja o menos importante. Fernando Pessoa, quiçá, diante do Tejo, elaborou seus versos por tal razão:
“Navegar é preciso. Viver não é preciso”.
Navegar pela imensidão de possibilidades. A sensação de ter o controle do próprio leme, de saber onde se quer chegar, de seguir a rota indicada pela bússula dos nossos princípios, é confortadora. Ainda que ocorram imprevistos desagradáveis, tempestades e o cântico traiçoeiro das sereias.
Única, inigualável é a sensação de Ulisses ao voltar para os braços mansos de sua Penélope. Navegar é necessário e certas paisagens, durante a travessia, são extraordinariamente belas.
Única, inigualável é a sensação de Ulisses ao voltar para os braços mansos de sua Penélope. Navegar é necessário e certas paisagens, durante a travessia, são extraordinariamente belas.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Posologia da Profissão
"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Mistério da Torta: a Reta
Mistérios, véus, fios labirínticos entrelaçaram-me por séculos
Sinuosidades seduziam à exaustão.
O obscuro era meu álibi no combate ao obtuso
Sher(lock) Holmes at home
Homero em mero desespero.
Matas fechadas. Ruas estreitas.
Arquitetura Irreal.
Decifra-me ou eu demoro!
No entanto, não mais nem tanto.
Tanto faz nunca fez.
Nem talvez.
Na seta da assertividade
Certas rotas são retas.
Risíveis, porém irreversíveis.
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