segunda-feira, 12 de abril de 2010

Clássicos, dramas e a velha comédia humana


O domingo de chuva me trouxe um sofá quente e um filme requentado: a Igualdade é Branca, da trilogia do diretor Krzysztof Kieslowski. Nele, o personagem polonês Karol, após ser humilhado pela ex-esposa, tece uma ardilosa trama e, mesmo amando-a loucamente, se vinga, impiedosamente, da bela mulher. A película me remeteu às irritantes considerações inconclusivas sobre as tais Sem-razões do Amor, como no poema drummondiano: “eu te amo porque não te amo. Bastante ou demais a mim.”

A cena final das lágrimas do homem cruelmente apaixonado, que observa através de binóculos a insanidade da moça consumida por um amor irrealizado pela tardia descoberta, é comovente. Um chute na estética “mocinha” de Hollywood e em seu clássico golpe do Happy End, do qual todos fomos vítimas um dia e que, vez por outra, voltamos a insistir em protagonizar novamente.

Mesmo após 30 anos de estudos sobre mecanismos psíquicos, Freud declarava não ter desvendado a pergunta: O que quer uma mulher? O filme também me fez questionar: em 5 milhões de anos, o que a civilização humana quer do amor?

Li, no início deste ano, uma entrevista com a tetraneta de Dom Pedro II, Paola de Orleans e Bragança que respondeu à pergunta sobre quem se classificaria como “príncipe encantado”. Para ela, aquele que tivesse nobreza relacionada ao caráter. Mas nobreza nem sempre funciona como pré-requisito para as paixões avassaladoras, aquelas incrustadas nos herdeiros do trágico modelo shakespeareano. “Hoje as pessoas procuram mais companhias do que um companheiro”, diz com realismo a descendente da Família Real Portuguesa.

Triste do amor, tão enaltecido pelos clássicos do cinema e da literatura, reduzido em nossos tempos de 140 caracteres do Twitter, a um apêndice do cotidiano. Talvez por isso tantos prefiram alimentar-se das emoções desenfreadas, contidas nos amores contrariados. Sábio foi o gênio Machado de Assis que, com o  sarcasmo habitual, cunhou a frase: “O amor contrariado, quando não leva a um desdém sublime da parte do coração, leva à tragédia ou à asneira."

5 comentários:

  1. Lindinha - as always! Tivesse eu uma chance para contigo fazer drama ou romance. risos. Onde anda vc assim tão desaparecida?

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!
    Gente tu és demais, garota! Simplesmente saborosa, cínicae IRRESISTÍVEL.
    Teu fã, Carlão.

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  3. Ah não deixo de te ler nunca! Adoro a tua fluência com as palavras escritas. O que quer uma mulher ou o que se quer do amor? Tudo o que foge a razão, tudo mais do que se pode escrever. Não cabe querida, não cabe, não cabe em nenhuma escrita...Às vezes e só às vezes temos vagas notícias disso pela poesia.

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  4. Daniela Rego Borgneth14 de abril de 2010 06:00

    Flávia.....vc é mulher dos mil ofícios, e eu que sei nadar pouco!!!!mas, da frase de Freud,pescamos juntas...vc viu meu quadro na borracharia da dadá né??/ besos.Dani

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  5. A porra do amor. Siempre. Linda dança das palvras, larvas vulcânicas na Islândia...bj e amor, minha frô. No Rio? "Tá tudo cinza sem vc, tá tão vazio..." lov, tua dá

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