terça-feira, 7 de janeiro de 2014

10 coisas incríveis de 2013



2013 é agora apenas um capítulo da obra dos anos. Na introdução deste, não farei promessas ou traçarei as metas para o ano novo. Apenas uma pequena lista daquilo que rasgou a rotina dos dias, dos acontecimentos que dobraram as páginas, transformando os episódios em relevo biográfico. Nada de aventuras extraordinárias ou momentos excepcionais. Não fiz mergulho submarino, escalei montanhas e nem participei de excursões para o Ártico, mas vivi com profundidade a maior de todas as aventuras: a vida. Que 2014 seja leve, porém, sem perder a direção, conforme legenda para esta foto feita por mim, na praia, quando o ano já anunciava sua despedida. 
Abaixo, a lista: 



 1) Um surto de choro e forte emoção, durante cânticos de música sacra entoados pelos monges do Mosteiro de São Bento (SP); 

 2) Ter feito um curso de Fotografia com o professor Zé Luiz Cavalcante e realizado um antigo desejo para a satisfação dos sentidos;

 3) Ter caminhado, pela primeira vez a pé e com a bandeira do Brasil, na Ponte do São Francisco, durante os protestos que marcaram o ano de 2013; 

 4) O inicio de um trabalho voluntário de Evangelização para crianças, com noções de solidariedade e cidadania; 

 5) Registrar com as retinas e as lentes da câmera a Procissão dos Orixás, na Igreja do Desterro, em plena harmonia do sincretismo religioso maranhense; 

 6) Ter entrado em conexão com o meu anjo da guarda e evitado um assalto, em peleja direta com o ladrão; 

 7) Organização para a publicação de meus dois livros, após mais de 20 anos de intensa atividade profissional às custas das palavras; 

 8) Um passeio para mostrar como vivem as pessoas embaixo das pontes, em casebres de papelão às crianças que têm teto, casa, comida e roupa lavada; 

 9) Ter tido mais uma prova de que “a fé transporta montanhas” e de que não existem coincidências ou acasos a quem aciona as forças espirituais; 

 10) O estranho sentimento de alegria diante da partida do meu avô Bezerra, com a sensação reconfortante de que ele cumpriu a missão destinada

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Rádio Estante


domingo, 11 de agosto de 2013

Hálito das Ruas

 
 
"...Me extravio
na Rua da Estrela, escorrego
no Beco do Precipício.
Me lavo no Ribeirão.
Mijo na Fonte do Bispo.
Na Rua do Sol me cego,
na Rua da Paz me revolto
na do Comércio me nego
mas na das Hortas floresço;
na dos Prazeres soluço
na da Palma me conheço
na do Alecrim me perfumo
na da Saúde adoeço
na do Desterro me encontro
na da Alegria me perco
na Rua do Carmo berro
na Rua da Direita erro
e na Aurora adormeço".
 
Trecho de POEMA SUJO, de Ferreira Gullar

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Cidade presa ao passado



"A cidade foi possuída 
pelo tempo 
está grávida 
de seu passado 
e dependendo de nós
poderá parir um demônio 
ou um anjo"

(José Chagas)

terça-feira, 30 de julho de 2013

Janelas da Vida

A exuberância de uma natureza singular
Praia da Raposa, julho de 2013






quarta-feira, 24 de julho de 2013

Olho de Texto


Em tempos de tags, twitters, banners e posts chegará uma época em que escrever assim, de um modo afeito às sentimentalidades, irá tornar-se algo tão nostálgico quanto as máquinas de escrever, as fitas cassetes e os filmes das câmeras fotográficas? Oxalá os profetas do Admirável Mundo Novo errem suas previsões apocalípticas sobre o fim da escrita, agora vestida da purpurina das telas em LCD, muito além do papel da Galáxia de Gutemberg!

Pois bem, prossigo na aventura destemida da escrita. Há exatos 10 anos, aprendi a reservar tempo e atenção a mim mesma. Até então, nunca havia sido muito amiga do espelho, costumando passar horas mergulhadas em meus devaneios, durante longas incursões interiores. Não dava a mínima ao exterior. Tímida e míope, sequer lembrava do meu rosto de avestruz. Foi então que, por certa influência, passei a cuidar melhor de mim e a me presentear com determinados mimos.

Atualmente, estou me proporcionando um desses raros prazeres que fogem às classificações rasteiras do instinto. Há anos nutro uma paixão platônica pela arte de fotografar, dessas de comprar livros de Sebastião Salgado, reproduções de Henri Cartier Bresson, revistas e outras referências à fotografia. Até a sala do meu apartamento denuncia o flerte, com uma imagem espetacular, em preto e branco, da fotógrafa alemã Alice Brill, que fugiu do nazismo para o Brasil, quando o pai foi morto em um campo de concentração. 


Agora resolvi consumar a paixão e fazer um curso. Diafragmas, Obturadores, ISOs têm sido um feliz exercício de aprendizagem. A imagem sempre foi meu objeto de estudo, desde a graduação, quando escrevi sobre a “fascinante relação entre a imagem e o texto no telejornalismo”, um título mais poético do que científico para uma monografia de conclusão de curso universitário.   

O fascínio pela foto começa desde a etimologia da palavra fotografia, que significa escrever com a luz, quase trecho de um poema. Eu, que já escrevi com sombras, com raios, tempestades, céu nublado ou ensolarado, estou completamente extasiada com as infinitas possibilidades de dizer sem palavras. Para quem passou a metade de sua vida escrevendo para sobreviver, a fotografia é a própria insubordinação aos ditames de um discurso. Ela se espraia pelos amplos significados da subjetividade, podendo afirmar aquilo que não foi dito e nunca será por texto algum. Não foi à toa que o espectro fotográfico instigou ampla parcela da intelectualidade, a exemplo de Barthes, com sua A Câmara Clara e Philippe Dubois, que desvendou um ponto focal, ao mencionar que “a foto aparece, no sentido forte, como uma fatia, única e singular de espaço-tempo, literalmente cortada ao vivo”.

A minha visceralidade para escrever permanece inalterada. Mas, agora, completamente enamorada pela arte de captar imagens em instantes únicos, buscadas com a precisão de quem deixa escapar um jeito de olhar próprio, de quem fotografa a imensidão e a diversidade da existência. Experiências assim devolvem o sentido original da constatação de Fernando Pessoa, a de que toda arte é uma confissão de que a vida não basta.


Obs: a foto foi feita por mim, especialmente para esta postagem. A crônica é dedicada aos meus colegas e ao professor e fotógrafo, Zé Luiz Cavalcanti, do Curso de Fotografia do SENAC, que transcendeu a técnica e ensinou bem mais do que ajustar o obturador, o diafragma, o ISO, destacando o  que pode existir além de uma imagem.  Valeu!



terça-feira, 23 de julho de 2013

Quarta-feira de Luz