terça-feira, 20 de julho de 2010

Textos enfileirados


A jornalista e escritora espanhola Rosa Montero, no verborrágico A Louca da Casa, cita a classificação de um tal Isaiah Berlim, que divide os autores em raposas e ouriços: os itinerantes e os enroscados em si mesmo. Devo me enquadrar na categoria de ouriço, embora me expondo, desavergonhadamente, em meus escritos, após o enroscar-me em mim mesma.

Depois de uma hibernação literária de quase dois meses, percebo agora textos enfileirados, acumulados, aguardando o momento de emergirem, amarrotados, sedentos, desassossegados. Eles pululam dentro de mim, inquietos, na busca frenética pelo êxtase proporcionado pelas escrevinhações necessárias, quase fisiológicas. Aqui fora, a aridez impõe sua cancela, a técnica asfixia a malemolência do bailar sensual das palavras, surdas à música que põe em movimento o entrelaçar de frases segredadas pela verve. É tempo que tolhe as singelezas, embora recorra a elas, incansavelmente, na fresta que se abre nos segundos, por exemplo, em que a chuva cai na janela, molhando a alma seca.

É tempo que requisita intervalos, reacende vontades suaves em mim, demanda os livros que aguardam na fila de espera, no posto de táxi para alguma Estação Lunar, como na letra da canção surrada de Geraldo Azevedo. É tempo que pede lençóis de pele e sedas de gente, em lugar da rigidez da rotina fardada, de tarefas enfadadas. De argila nas mãos, lama nos pés, a substituir o cimento das frases. É momento de cenas brutas, sem cortes, da família de porcos que atravessa a rua esburacada, do silêncio dos sussurros interiores, da rádio AM correndo junto com o carro. É tempo de textos em fila, em conserva, esperando a fome, que devora sensações e fragmentos dos dias, ser engolida pelo metabolismo da escrita que grita. A seguir cenas.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

SEM LEGENDA




quarta-feira, 16 de junho de 2010

A insaciável fome de poder no Maranhão

O genial poeta, jornalista e compositor, César Teixeira, escreveu sobre a intervenção do PT do Maranhão no site do jornal Vias de Fatos (http://viasdefato.jor.br/), do qual tenho umas das últimas vaidades jornalísticas que me restaram de ser colaboradora. A publicação é um dos mais corajosos projetos editoriais já editados, nos últimos tempos, neste Maranhão de feudos também midiáticos, sob a coordenação de Emílio Azevedo e do autor do texto que segue abaixo:


A resposta virá

Em pleno século XXI, os vícios feudais persistem. A intervenção realizada pela cúpula nacional coloca o PT maranhense mais uma vez no pelourinho do ridículo, atendendo aos interesses mórbidos do feitor José Sarney e seus capitães-do-mato. Como se não bastasse ter transformado o Senado Federal numa casa mal-assombrada, esse velho fantasma de pijama tenta colocar uma pá de cal sobre a resistência petista no Maranhão, contrária ao apoio pretendido pela sinhazinha Roseana Sarney ao governo do Estado. Talvez o mal-sucedido escritor tenha esquecido que a Cafua das Mercês há muito deixou de ser mercado de almas, quando os negros se rebelaram contra os oligarcas do Maranhão. Da mesma forma, não será possível manter por muito tempo a política brasileira como um sujo balcão de negócios. Existem feridas que ainda não foram fechadas pela história, e essa dor agora acrescentada pelo sal da covardia não será suficiente para calar os cidadãos maranhenses solidários à greve de fome de Manoel da Conceição e Domingos Dutra. A resposta virá... e o senhores feudais que se cuidem!

César Teixeira


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cinema e Psicanálise

terça-feira, 8 de junho de 2010

LUTA, SUBSTANTIVO FEMININO


LANÇAMENTO NESTA TERÇA, 08/6, às 17h, NA OAB/MA, COM PRESENÇA DO MINISTRO PAULO VANNUCHI, DA SECRETARIA ESPECIAL DE DIREITOS HUMANOS.

A obra é o terceiro livro da série Direito à Memória e à Verdade, sobre mulheres vítimas das atrocidades da ditadura militar brasileira (1964-1985). O livro intercala as histórias de 45 mulheres mortas ou desaparecidas e os relatos de 27 sobreviventes de diferentes organizações de resistência à ditadura, armadas ou não.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Os dentes cariados da alegria


Cantor e compositor de forte presença na década de 70, Sérgio Sampaio embala o final de domingo/início de segunda com um clássico regravado por Zeca Baleiro:


“...o triste nisso tudo é tudo isso, quer dizer, tirando nada, só me resta o compromisso com os dentes cariados da alegria, com o desgosto e agonia da manada dos normais...”

 

A poética contundente de Sampaio é um espelho na cara maquiada da rotina, com seus falsetes de felicidades, seus truques e artimanhas para preencher nossos vazios cotidianos, como se fosse possível a fabricação de Botox para a alma ou Viagra para a melancolia dos dias mais acabrunhados. Engolir a seco o tédio como remédio é quase uma heresia para quem vive num “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”, bom de bola, com um presidente bom de boca, enfim, numa nação que há 40 anos faz apologia carnavalesca de suas belezas e alegrias.

Não, definitivamente, aqui não vingaria nenhum Dostoiévski! Enfrentamos, menos ainda, problemas como uma expectativa de vida de 43 anos, desnutrição em torno de 70%, como o Afeganistão, quando, entre 2008 e 2009, 80 mulheres tentaram suicídio, ateando fogo em si mesmas. O Brasil é como a descrição da ex-ministra Dilma Rousseff, feita por Danuza Leão, ontem na Folha de São Paulo: “A candidata está vivendo uma adolescência tardia, mas vai ter que resolver essa crise de identidade e decidir, afinal, quem é Dilma Rousseff.” Estamos em plena ebulição dos hormônios do crescimento econômico, ainda cometendo imbecilidades típicas da idade.

O texto está cheio de rugas e enfadado. Perdão, leitores. Resta-nos o consolo de Veríssimo, o pai, em Olhai os Lírios dos Campos: o de que a tal felicidade (palavra que parece estar sentada em um trono) “é a certeza de que nossa vida não está se passando inutilmente”.





sexta-feira, 28 de maio de 2010

Exposição de Márcio Vasconcelos